Outubro Rosa 'Comigo também aconteceu e nada acontece por acaso...'



O mês de Outubro é mundialmente dedicado à consciencialização das mulheres para a prevenção do cancro da mama, doença esta com maior taxa de incidência em Portugal.

A campanha 'Outubro Rosa', para além de alertar as mulheres para a realização de exames periódicos, tem também como objetivo a angariação de fundos para ajudar as várias instituições ligadas à luta contra o cancro da mama.

Todas as mulheres entre os 40 e os 69 anos são incentivadas neste mês, a realizar os exames de despiste da doença. Contudo, atualmente o número de casos tem vindo a aumentar nas mulheres abaixo dos 40 anos. Em Portugal, todos os anos aparecem 6000 novos casos. Estes valores são preocupantes, mas quanto mais cedo forem diagnosticados maior é a percentagem de cura. A palavra de ordem é mesmo a prevenção.


Esta doença é uma experiência marcante, um caminho de coragem, de esperança, mas também de aprendizagem e auto-conhecimento. 
Todos nós de alguma forma, já vivemos de perto quer na família, quer no círculo de amigos ou conhecidos, alguém que já passou ou está a passar por uma doença oncológica. Desta forma, deixamos o testemunho de uma pessoa muito especial para nós - a que eu Sara, sempre chamei de tia Camy - e que viveu recentemente a experiência do cancro da mama e que tão gentilmente aceitou partilhar a sua história. 


Comigo também aconteceu e nada acontece por acaso…

Como descobri?! Um dia estava deitada e a “mão de Deus” fez tocar-me e sentir um nódulo na mama direita. Estávamos em meados de Dezembro e optei por esperar que as férias do Natal passassem para em Janeiro fazer os tais exames, recomendados pelo médico de família pelos meus 40 anos.
Fui sozinha fazer a ecografia e a dolorosa mamografia. Não me deixaram sair da clínica sem o resultado dos exames e com indicação de fazer uma biopsia rapidamente…
Desde esse dia foi a correria entre consultas, hospitais, exames e mais exames, até que no final do mês de Fevereiro tive o resultado: é maligno e vamos operar.
Feliz ou infelizmente tinha acompanhado 8 casos de cancros de mama nos últimos anos, de amigas que se tornaram muito próximas devido à minha ligação com a macrobiótica e pela ajuda que lhes dei durante os seus processos. Estão todas cá e bem, com a vigilância ativa e necessária, mas bem.
Para mim, o pior de tudo foi gerir a montanha russa de emoções… dos outros e as minhas. A família e amigas próximas foram o meu grande pilar, porque souberam respeitar o meu recolhimento, o meu silêncio, a minha necessidade de estar só comigo. Ajudaram-me muito as cartas por correio que recebi e escrevi, as caminhadas na mata em silêncio, a comida cozinhada para mim, no fundo todas as manifestações de amor vindas de tantos lados e das mais variadas formas.
Tudo o que nos surge na vida são desafios. Se for um desafio como o cancro, é melhor abraça-lo do que olhar para ele como algo de mau.
 Há que acreditar… nos nossos médicos, na evolução da ciência, e em nós enquanto seres que evoluímos em diferentes vertentes da vida. E por vezes, é mesmo necessário algo nos levar à inatividade, para percebermos que também precisamos de ajuda e que a vida continua sem a nossa correria diária.
Olhando para trás, agora que terminei os tratamentos e o cabelo está a crescer, apesar da dureza da quimioterapia, as manifestações de amor que se sente num processo destes, supera tudo. Chego a dizer que foi uma bênção que a vida me deu, uma oportunidade para escolher outros caminhos, com ajuda e reconhecendo que não somos nem mais nem menos que qualquer pessoa, só temos que dar mais atenção ao que nos faz feliz e não nos distrairmos nunca desse foco que são as escolhas que fazemos na vida! - Camy

Já sabe, a palavra de ordem é prevenção!
Cuide de si ❤️